Conheça a história da ganhadora do Concurso Municipal de Fotografia de Ouro Fino na categoria “Histórias de Ouro”

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2° lugar categoria
Foto: Juliana Fuzari

Na sexta-feira (14), o Concurso Municipal de Fotografia de Ouro Fino teve seu encerramento, as premiações foram definidas pelo número de reações nas fotos na página do Facebook “Viva Ouro Fino” e por uma comissão de pessoas ligadas ao concurso, bem como profissionais da área.

Uma ganhadora em específico, chamou a atenção por ocupar o 1º e 2º na categoria “Histórias de Ouro”, as duas fotos premiadas foram bastante comentadas e receberam muitos elogios nas Redes Sociais. Diante da repercussão, o Observatório de Ouro Fino entrou em contato com a ganhadora Juliana Fuzari para saber um pouco mais da sua história, trajetória e inspiração.

1) Como você começou a tirar fotos profissionalmente?

“Faz muitos anos que eu gosto de fotografia, mas a paixão começou mesmo depois que sai viajando de carona pelo nordeste do Brasil há 6 anos atrás, eu nasci em Ouro Fino e vivi até meus 18 anos, nesse tempo eu nunca tinha viajado longe e conhecido tanta paisagem incrível, cultura, comida, pessoas, sotaques tão diferentes. Quanto mais eu viajava mais sede eu tinha de viajar, viver e registrar tudo que eu estava vivendo.
Fiquei muitos anos tirando foto com celular, até que em 2018 um amigo deixou uma câmera comigo e disse: você tem um olhar muito sensível e bonito, porque não trabalha com fotografia? Fique com essa câmera e desfrute dela com teu olhar.
Desde então venho estudando, fazendo cursos e praticando meu olhar, trabalhando como fotógrafa, e me aprofundando em vídeos como uma forma de contar histórias.”

2) Qual foi sua inspiração para as fotos do concurso de Ouro Fino?

“Quando meu irmão me mandou o link do concurso eu fiquei extremamente feliz, em saber que Ouro Fino estava abrindo esse espaço para expressar através da fotografia o lugar de onde eu nasci. Na semana do meu aniversário que foi no dia 22/04 fui para Ouro Fino passar 1 semana, fazia anos que eu não ia e passava dias na cidade, sempre que vou visitar a família é bem corrido, fico sempre no máximo 2 dias. Participei das 3 categorias, e quando pensei em fazer os registros eu queria muito mais que apenas fazer as fotos, eu quis voltar no tempo e fazer uma homenagem a pessoas e lugares que representassem o lugar que eu nasci de uma forma que eu vi por tanto tempo quando criança e adolescente, não só eu, mas muitas outras pessoas da minha geração.
O tempo passa e tem muitas coisas e pessoas que merecem ser lembradas, tudo muda, tudo transforma, e muitas coisas são esquecidas no passar dos anos. Uma das minhas inspirações foi a “simplicidade” de uma cidade acolhedora onde sempre pude quando criança andar pelas ruas sem medo, não sou uma pessoa de crenças e religião, mas respeito muito todas que existe, minha segunda inspiração foi a empatia por quem se doou durante tantos anos da vida servindo a Deus e a igreja que representa tanto a cidade, a última inspiração foi toda a natureza que me rodeou desde a infância e acredito que foi o que me fez ter o olhar tão observador e sensível que tenho hoje.”

3) Você acha que esse tipo de concurso é importantes para a divulgação da cidade?

“Com certeza um concurso como esse é muito importante para a cidade quanto para as pessoas, existem muitos talentos que precisam ser vistos, em Ouro Fino já teve muitos artistas talentosos que saíram da cidade por falta de oportunidades, e existem muitos que ainda vivem por aí, havendo mais eventos como esse só tem a acrescentar para a cidade, que tem histórias, lugares e pessoas incríveis que pode despertar interesse nos viajantes de conhecer a cidade mais afundo, como por exemplo passando dias na cidade gerando transformação de economia e sociedade , e não só passando pelo menino da porteira para tirar 1 foto e já ir embora. Digo isso com respeito, e autoridade de quem ouviu de muitas pessoas, durante minhas viagens pelo Brasil, que não entrou na cidade, que só tinha parado para tirar 1 foto no menino da porteira, e que não sabia o que tinha para fazer dentro da cidade. Uma grande pena, pois vejo um grande potencial em Ouro Fino de se tornar uma cidade turística.”

4) Qual a história por trás das duas fotos premiadas no concurso?

A fé,

Tive a oportunidade de conhecer as irmãs Maria, no dia do registro uma das irmãs me recebeu me dando um bom dia com muita alegria, quando fui bater a foto ela não parava de rir e me disse que estava muito feliz. Essa foto vai muito além, é uma pequena homenagem para essas mulheres que dedicaram uma vida em nome de Deus, do bem, do amor e da fé! Todas são Maria…”

“Histórias de Ouro,

Nasci e fui criada em Ouro Fino, nessa cidadezinha que já não é mais tão cidadezinha,
me lembro quando criança, eu andava pelas ruas apaixonada pelos casarões antigos,
eles sempre me chamavam atenção pelas cores, as janelas, era muito diferente das outras casas. Naquela época eu voltava da escola e via os vendedores nas ruas, era algodão doce, canudo de doce de leite, picolé, tinha o cara que também vendia peixe na rua, e ele gritava “mulher bunita não paga mais também não leva” nossa que saudade da minha infância. E quem é que não se lembra dessa figura?
Sr, Dirceu vendedor de picolé, me lembro tanto dele, sempre tão simpático, não tem quem não goste dele. Esse registro é uma singela homenagem a esse homem que alimentou e criou toda suas crias vendendo picolé, e que fez por tantos anos
minha alegria e de toda criançada na rua, ninguém passava vontade,
se não tinha dinheiro Sr, Dirceu dava o picolé. Hoje com seus oitenta e nove anos já não saí mais para as ruas, esse dia foi uma nostalgia, foi a alegria! Que Deus abençoe sempre o Sr, Dirceu, gratidão por ter trazido para as ruas tanta alegria por tantos e tantos anos.”

Parabéns Juliana pelo seu olhar sensível e por compartilhar essa inspiração com a população ourofinense.

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