Reflexões – Marcos Castro | Depressão, cuidado!

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Depressão, cuidado!
Depressão, cuidado! (Foto: Divulgação)

“Salta aos olhos” de qualquer pessoa, independente da área das ciências, o senso comum quanto ao destaque da psicopatologia da depressão no cenário contemporâneo mundial.

Não por acaso, este artigo de hoje foi suscitado, talvez, como forma que encontrei – deu vontade – de completar o anterior – de 03.10.20 – aqui publicado, que tratou dos aspectos psíquicos da “pandemia do medo”!

Como muito bem citou o sociólogo Zygmunt Bauman: “Estar deprimido é praticamente uma condição do sujeito pós-moderno” (BAUMAN, 1998).

Ela – a depressão –, metaforicamente, tem vindo por “delivery”.

O quadro clínico de depressão, nas suas múltiplas nuances, tem adquirido, cada vez mais, crescente importância na clínica psicanalítica; o que denota alta demanda por ajuda e tratamento, assim como necessidade de constante atualização e desenvolvimento de estudos; e adequação no manejo técnico-clínico.

Zimerman (2004), salienta que, “entre as 10 mais importantes causas incapacitantes dos indivíduos, cinco são psicopatológicas, e, nessas a depressão – especialmente a depressão maior bipolar – é a primeira delas”.

É fato “sine qua non”, na atualidade, o quanto o sujeito está submetido à extremada competitividade para ter a sensação de “vencedor”!

Ora, isto traz em seu bojo, facilmente, o sentimento de fracasso e imbrica o favorecimento de afetar a autoestima e a eclosão dos mais variados quadros depressivos.

Toda a lógica de padronização, normatização, de embasamento, de buscar padrões didáticos e científicos vêm se fragilizando e se transformando devido ao ideal tão fluído do sujeito contemporâneo; cada vez mais submetido a mudanças constantes e rápidas de referências e de valores sociais e culturais, “produção” de identidades e outras intermináveis condições a que o sujeito está exposto.

Para resumir: o efeito psíquico deste tempo é da ordem do desamparo, da insegurança e até do individualismo cercado de gente virtual.

Atenção aos sintomas!

Há grande variação de sintomas e de intensidade no estado psíquico do deprimido. No entanto, alguns se mantém presentes na maioria dos casos.

  • Humor deprimido;
  • perda de interesse e tristeza;
  • falta de esperança;
  • sensação de inutilidade;
  • elevado grau de sentimento de culpa sem causa aparente;
  • elevada exigência consigo mesmo;
  • extremada intolerância a perdas;
  • baixa autoestima;
  • preocupação intensa com o que outros julgam;
  • sensação quase constante de fracasso;
  • incapacidade de almejar desejos tendo a sensação de jamais alcançá-los;
  • insônia;
  • entre outros…

Não obstante ao aqui informado, é importante ressaltar que sintomas, de forma alguma, na prática, se mostram assim didáticos, formatados e estanques; pelo contrário, há plena interação e integração, tudo se complementa, se transforma aqui e acolá, quando se trata de “estado” psíquico e quadros depressivos.

Eis a extrema importância do constante estudo, atualização, desenvolvimento científico, do “pensar fora da casinha”, da abertura às novas demandas e procedimentos no “setting” psicanalítico a que se deve dar conta.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAUMAN, Z. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 1998.

_________. Manual de técnica psicanalítica: uma re-visão. Porto Alegre: Artmed, 2004.

Por Marcos Castro
Engenheiro; Especialista em Qualidade e Produtividade;
Mestre em OTH; Educador;
Escritor; Filósofo; Professor Universitário;
Educador; Palestrante; Psicanalista.
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