Malharias do Sul de Minas estão com estoque parado por conta da pandemia de coronavírus

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O inverno começa só em 20 de junho, mas o frio já começou a chegar. É consenso entre os meteorologistas que, em 2020, não haverá os fenômenos El Niño ou La Niña, o que significa que o inverno pode ser mais forte no hemisfério sul do que nos últimos anos.

Essa seria uma boa noticia para a produção do Circuito das Malhas. Desde março, as cidades da região deveriam estar registrando uma movimentação bem grande de turistas, mas neste ano, por conta da pandemia de coronavírus, as ruas estão vazias.

“Está sendo catastrófico o impacto da pandemia para Jacutinga”, afirma o empresário Lourenço Bartolomei ao O Tempo. Assim como os outros empresários da região ele esperava a alta temporada de abril a julho, para distribuir a produção. “Os clientes estão cancelando pedidos, outros adiando. Desse jeito, o fluxo de caixa fica descontrolado. Quem demitir agora também corre o risco de não conseguir mão-de-obra depois da crise” afirma.

Jacutinga

Um decreto municipal publicado dia 20 de março fechou as industrias e comércio em Jacutinga, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde e do governo estadual. No dia 25, outro decreto flexibilizou o funcionamento das indústrias.

Na cidade são em média 1.200 malharias de pequeno, medio e grande porte. De acordo com Eliseo Favano Júnior, presidente da Associação Comercial, dos 26 mil habitantes da cidade mais de 10 mil estão no ramo da malharia. A Fest Malhas, maior festa da região, que costuma receber em maio cerca de 180 mil turistas foi adiada para o período de 5 a 21 de junho, com possibilidade de ser adiada para julho.

Os pedidos que seriam entregues no final de março foram cancelados. Aprevisão é de uma queda de 70% a 80% na renda das pessoas que moram no município. Para assegurar alguma venda, a associação lançará no dia 13 uma plataforma e-commerce para dar apoio aos empresários locais para superar a crise.

Monte Sião

Monte Sião tem uma quantidade de lojas e fábricas parecidas com a vizinha Jacutinga: são em média 1.400 fábricas e mais de 900 lojas. O comercio também foi fechado e o funcionamento das industrias flexibilizados por um decreto municipal.

O prefeito José Pocai (PSL) esta de acordo com a proposta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de flexibilização das medidas de restrições de combate à Covid-19. “Temos que encontrar um meio-termo entre saúde e economia. É preciso equilibrar. Cerca de 80% de nossa cidade vive de malharia”, ressalta o prefeito.

Até o momento as prefeituras locais adiaram o pagamento de impostos municipais. Em Monte Sião já são mais de 4.000 desempregados.