Estudo da UFMG afirma que o Isolamento Social Vertical não funciona contra a Covid-19

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A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que o isolamento vertical (apenas para grupos de risco), como indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, teria resultados muitos próximos à nem um isolamento social para conter a epidemia do novo coronavírus. Os cálculos estatísticos foram feito com base em simulados para Belo Horizonte, mas se aplicam também em outras regiões do país, segundo os pesquisadores.

As simulações foram realizadas pelo Grupo de Trabalho Covid-19, da UFMG, e fazem parte de um relatório que concluiu que o isolamento vertical não é o suficiente para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. O trabalho, copilado em um relatório técnico se chama “Isolamento Vertical é ineficaz para conter a pandemia”, e é assinado por 7 profissionais do departamentos de Estatística, de Matemática e de Pediatria da UFMG, além da participação da Universidade Federal de São João del-Rei (MG) e da Diretoria de Pericias Médicas da Policia Civil de Minas Gerais.

Para fazer uma comparação das formas de isolamento, foram levados em conta parâmetros como o tempo médio de incubação do vírus, o período em que a pessoa infectada é capaz de passar o vírus para outra, quantas apresentam ou não sintomas e continuam capazes de contaminar a terceiros, além do sistema de saúde disponível onde a população está.

A diferença entre não fazer o isolamento e o isolamento vertical é pequena, segundo o estudo, mas muito acentuada em relação ao isolamento horizontal (todos ficam em casa), indicado pelo Ministério da Saúde.

Para um dos responsáveis pelas análises o isolamento horizontal daria mais tempo para o sistema de saúde se preparar. “O isolamento horizontal fará com que a epidemia só se manifeste, e de maneira bastante reduzida após 16 meses do seu início, desafogando a rede hospitalar e possibilitando a emergência em tempo hábil, de soluções como a vacinação e novos medicamentos” esclarece Luiz Henrique Duczmal, do Departamento de Estatística da UFMG.

“Mostramos através de simulações numéricas, que o chamado Isolamento Social Vertical é bastante ineficaz para conter a pandemia Covid-19”, afirma um trecho do estudo. “O cenário de isolamento vertical é apenas marginalmente melhor do que o cenário em que não há nem um isolamento, e muito pior do que o cenário de isolamento horizontal, com nível de redução de contato social equivalente”, finaliza.