Conheça a casa mais antiga de Ouro Fino

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Foto: Observatório de Ouro Fino.

Quem já passou pela esquina da rua Dr. Silviano Brandão com a rua Joaquim Pitaguary, com certeza, reparou na casa branca de portas e janelas azuis com detalhes em amarelo. A casa de número 350, chama a atenção não somente pela sua exuberância, mas, principalmente por sua arquitetura antiga, sendo conhecida como: Casa de pau a Pique, a mais antiga edificação preservada de Ouro Fino.

Podendo ser considerada como um remanescente da técnica construtiva de pau-a-pique, ou taipa, é uma técnica antiga que consiste no entrelaçamento de madeiras verticais fixadas no solo, com vigas horizontais, geralmente de bambu, amarradas entre si por cipós, dando origem a um grande painel perfurado que, após ter os vãos preenchidos com barro, transforma-se em parede.

O Observatório de Ouro Fino realizou uma pesquisa referente a possível data de construção da casa em questão, e concluiu que a mesma, foi construída em meados do século XIX. Possivelmente, foi construída por algum minerador, tendo passado por outros donos até ser a residência da Dona Ursulina Sanches de Lemos Cordeiro, casada com José Belisário de Oliveira Cordeiro, sua filha, Maria Anunciação Lemos Cordeiro ficou noiva do Sr. Cleóphano Pitaguary, em 1860, na referida casa. O senhor Cleóphano Simões de Araújo, adotou o sobrenome Pitaguary, pois, era comum na época, acrescentar nomes indígenas aos sobrenomes para indicar apoio aos movimentos de independência da colônia em relação a Portugal.

Seu filho, Joaquim Pitaguary, também residiu na casa, com sua esposa Hygina Sanches de Lemos e filhos. O jornalista Joaquim Pitaguary estudou no Colégio São Bento em São Paulo. Foi redator do Jornal Gazeta de Ouro Fino de 1914 a 1917 de acordo com o documento “Moção de Aplausos” nº 005/2017 da Câmara Municipal de Ouro Fino. Quando a Gazeta de Ouro Fino se filiou ao Partido Republicano Mineiro, Joaquim Pitaguary retornou como redator, assumindo o cargo de 1918 a 1923.

Sua filha, a professora Ursulina Pitaguary, também foi moradora da casa. A Biblioteca Municipal de Ouro Fino foi nomeada em sua homenagem de acordo com a Lei nº 1.464 de 8 de junho de 1990.

Na Casa de Pau a pique, funcionou, durante a gripe espanhola de 1918, o posto de saúde sob a direção dos médicos Dr. Rodrigo Silva, Dr. Álvaro Apocalipse, Dr. Americano de Almeida, Dr. Ermano Biagione, entre outros. O imóvel também abrigou a sede da Prefeitura em 1931 e a Escola de Farmácia de Ouro Fino nos seus último anos de existência, aproximadamente em 1937.

A Casa possui características coloniais com algumas modificações. Atualmente a Casa de Pau a pique, encontra-se a venda conforme a placa da imobiliária pelo valor de R$ 600.000,00, confira aqui as fotos da parte interna da casa.

1 COMENTÁRIO

  1. O que a prefeitura está fazendo? Precisa ser tombada e virar ponto turístico…. Da história de Ouro Fino.

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