Zema vai na contra mão de 25 governadores e não assina carta cobrando Bolsonaro

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Zema
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Somente dois governadores não assinaram a carta de chefes de Executivos estaduais sobre a crise que assola o pais causada pela pandemia do novo coronavírus: Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais e Coronel Marcos Rocha (PSL), de Rondônia. O documento foi criado depois de uma reunião conjunta entre todos os governadores e o presidente da Câmera, Rodrigo Maia (DEM), cobrando ação de Bolsonaro.

Na carta o pedido para que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) tome atitudes como suspensão do pagamento das dívidas dos estados com a União por 12 meses, viabilização emergencial dos recursos, aprovação imediata do Regime de Recuperação Fiscal, apoio para adquirir equipamentos e liberação de recursos ligado às perdas da Lei Kandir, que inventou a exportação de alguns produtos da cobrança do ICMS (taxa estadual).

Terminando o texto, os governadores afirmam que o Congresso Nacional deve assumir o protagonismo na defesa do pacto federativo e pedem a Bolsonaro que una força a eles contra a crise causada pela pandemia do Covid-19. Esta semana, o presidente voltou a criticar medidas de isolamento social e outras ações efetivadas nos estados contra a pandemia.

Em entrevista a jornalistas nesta quinta (26), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que todos governadores haviam subscrito o documento, sem citar os dois que ficaram de fora.

“Vinte e seis governadores estiveram reunidos ontem virtualmente. E hoje o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), assinou a carta que esta sendo encaminhada neste momento ao presidente Jair Bolsonaro”, disse o governador paulista a Folha de São Paulo.

Zema esclareceu seu posicionamento em nota dizendo que esse é um momento de união entre todos os gestores públicos e, por isso, não assinou a versão que cita Bolsonaro. Ele chegou a sugerir uma reformulação do texto, mas foi voto vencido.

Zema não esta de acordo com o uso da palavra “protagonismo” para se referir ao papel do Congresso Nacional, nem com a citação ao presidente Bolsonaro.

Ele estava de acordo com a primeira versão do texto, na reunião de quarta (25), mas voltou atras em meio de uma discussão por meio de WhatsApp sobre a forma final do texto na madrugada de quinta feira (26).

Na segunda feira, em entrevista transmitida nas redes sociais, Zema respondeu à questão da Folha de São Paulo sobre como via a posição do presidente depois da afirmação de que a população saberia que foi enganada pela imprensa e governadores sobre a pandemia.

“Quem é leigo como eu e o presidente, na minha opinião, deve evitar entrar num assunto que nem os especialistas têm certeza, porque há divergência. Tem coisas na medicina que todo mundo concorda, outras, não. Essa questão de combater uma pandemia como essa esta nesse segundo caso” afirmou ele a Folha de São Paulo.

Minas Gerais ja tem mais de 21 mil casos suspeitos sendo investigados, e 189 casos confirmados, até esta sexta (27). O estado segue com ações de isolamento social, fechamento do comércio não essencial, com aulas suspensas e divisas fechadas.

O caso de Rocha é diferente, a principio ele não criticou o teor da carta na sua leitura até o termino da reunião, mas acabou não respondendo as mensagens sobre o texto final e sua assinatura. Pessoas envolvidas na criação do documento acreditam que ele não quis participar, por ser apoiador de Bolsonaro.

O governador Mauro Mendes (DEM-MT), também apoiador de Bolsonaro levantou preocupações com a questão econômica decorrente da crise, posição endossada pelo presidente, mas aceitou assinar a carta.